No Dorso do Rinoceronte

  1. A lenda do brilho da lua
  2. Fogo na mata
  3. O aniversário do urubu
  4. Na careca do vovô
  5. O parque de diversões
  6. Roda-gigante
  7. Carrossel
  8. Carrinho de bate-bate
  9. O trem fantasma
  10. Montanha-Russa
  11. Super-Repolho
  12. O baile
  13. Tô triste
  14. Guerra de travesseiros

A lenda do brilho da lua (Emílio Pagotto e Silvio Mansani)

Era uma princesa
Tinha um brilho forte no olhar
Via nas estrelas
Companheiras de brincar
Houve um rei malvado
Invejoso pra danar
Quis roubar seu brilho
Tranformar em pó e tomar com água
Pra ficar mais belo
De se admirar
Para ter seu brilho
Que ninguém podia pegar, podia pegar, podia pegar
Era uma princesa
Tinha um brilho forte no olhar
Via nas estrelas
Companheiras de brincar
O rei tentou tudo
Mas não conseguiu arrancar
Ficou furioso
E mandou castigar, mandou castigar, mandou castigar
Nem o castigo cruel
Seu brilho pode apagar
O rei então
prendeu-a no céu
E ela vive na lua
que vive a brilhar

Voz e Flauta: Ive Luna
Violino: Marcelo Mello
Violão: Otávio da Rosa
Contrabaixo acústico: Mateus da Costa
Percussão: Rodrigo Paiva
Fogo na mata (Emílio Pagotto e Silvio Mansani)

Quando o fogo na mata ferveu
Não se sabe o que foi que se deu

A araponga com o grito que deu
Deu o alarme coelho correu
Disparou lá pra beira do rio
Jacaré de jangada serviu
Por um pouco que não conseguiu
Por um triz, mas fugiu
Quando viu a fumaça no céu
Carimbando e assinando papel
O prefeito tatu decretou
Emergência que o bicho pegou
Com projeto de lei nomeou
O macaco bombeiro e falou
“Parabéns, com licença, eu já vou”
E em sua toca afundou
Começou um corre-corre
Pra tudo o que é lado
O ouriço todo arrepiado
O gambá na corrida assustado
Soltando um cheirinho danado
A mulher do lagarto
Entrou em trabalho de parto
E botou bem no meio da fuga
O morcego perdido, coitado
A paca pagando pecado
O pastor louva-deus ajoelhado
Rezando pra não ser queimado
E a anta aplaudindo com festa
A passagem daqueles atletas
Pensou que era só a maratona
Parada ou então carnaval
O jabuti a trezentos por hora
A preguiça com crise nervosa
O pavão com o traseiro de fora
A floresta toda em polvorosa
O boato é que algum desumano
É quem fez a primeira faísca
E a fogueira cresceu
Quando tudo ia pro beleléu
Uma chuva sem nuvens do céu
Desaguou sobre o fogo infernal
Pra que a vida voltasse ao normal
Gota a gota caindo das naves
Ou seja, dos bicos das aves

Que indo e voltando do rio
Acabaram com o drama
E a fogueira sumiu

Voz: Alicia Cupani, Ive Luna, Silvio Mansani e Eduardo Hansch
Piano: Luiz Zago
Contrabaixo elétrico: Rafael Calegari
Bateria: Rodrigo Paiva
O aniversário do urubu (Emílio Pagotto)

Foi uma festança animada pra chuchu
O aniversário do urubu
Tinha carne podre mal passada no palito
Suco de tomate apodrecido
Moscas e baratas bêbadas de inseticida
Rindo dos horrores dessa vida
Todos os cachorros, vira latas convidados
a rigor e muito perfumados
Mas na hora de dar o bolo
Coruja deu o bolo
Foi pegar o bolo e deu no pé dali
A família do urubu
ficou toda sem graça
Co ́ aquela trapaça
Imaginando o rolo e o tititi
todo mundo perguntava:
- onde é que tá o bolo?
ó, que situação !
no zum-zum-zum da festa
o urubu chorava de indignação
estava inconsolável, pois
“festa sem bolo não é festa, não”
mas os maltrapilhos convidados percebendo
todo aquele clima de tensão
foram lá dizer pro urubu: “não tem problema”
“a gente compreende a situação”

“Veja nem presente a gente trouxe então sossega”
“Vamos celebrar a ocasião”
“Quem vive de fome e de miséria não se importa”
“de festar sem doce, bolo ou torta”
e cantaram o parabéns
sem vela, bolo ou bola
ao som de uma viola que era do peru
foi um fim de festa bom
até que a coruja chega toda suja
pois comera o bolo do urubu
todos concordaram logo
que ela bem merecia
castigo sem igual
tiraram as penas dela
deram de presente pro urubu real
fazer um travesseiro
deixando a coruja nua no quintal

Voz e violão: Emílio Pagotto
Violão: Luiz Canela
Violino: Marcelo Mello
Percussão: Brother

Na careca do vovô (Emílio Pagotto e Silvio Mansani)

Na careca do vovô
Aeroporto de mosquito
Certa vez aterrissou
Um disco-voador muito esquisito
Roncando a todo vapor
Meu vô nem vê TV ligada
Quando soube o que rolou,
Meu vô acreditou foi nada!
Disse: “O meu neto pirou”
“Viu filme de terror e ta que ta”
Mas garanto pra você
É a mais pura verdade intacta.
Nesse disco tinha um risco, quase um cisco

Que era um tipo de uma portinhola bem minúscula
Dela sai um misto de besouro arisco com gnomo que rebola
Coisa muito esdrúxula (Esdrúxula? Que é isso?)
Tem na mão um grande alto-falante
Um megafone ultra-moderno, ultra-sônico, potente
Tudo indica que se trata de uma importantíssima mensagem
Para todo continente: - Perigo iminente!
E ele se põe a falar estridente:
(Improviso vocal)
Quando eu tava quase decifrando
Aquela língua impertinente vi crescer tão de repente
O “mãozão” do vô inconsciente azucrinado
Com os pulinhos persistentes do ET e... (plá!) - Meu Deus!
Voou... foi só disco-voador que voou de lá
Voou... meu avô voltou a ronronar
Voou... mas quem mandou pousar sem avisar, voou...
até porque... essa careca é de uso exclusivo de mosquito não é pra ET

Voz: Elizah e efeitos vocais
Ricardo Fujii: efeitos
Fulano Brandão: efeitos
Piano: Luiz Zago
Contrabaixo: Mateus da Costa
Bateria: Rodrigo Paiva
O parque de diversões (Emílio Pagotto e Silvio Mansani)

Chegou o parque de diversões
Preparem os vossos corações, nervos e tendões
Para nossas fortes atrações
Virão crianças em multidões
Serão meninas e meninões
Todos com seus balões
Medos e alegrias aos montões
(é que chegou o parque de diversões)
Os brinquedos, que beleza!
Os melhores com certeza
Disponíveis pela tecnologia
Fabricados na Alemanha
Canadá e Grã-bretanha
Pelos mestres da brinquedo-engenharia
Mas que sofisticada maquinaria
Tem pipoca algodão doce
E muito mais o parque trouxe
Mediante pequeníssima quantia
Vem papai sai da poltrona
Traga a mãe, a tia, a nona
Diga adeus ao tédio e a monotonia
Mas que sofisticada maquinaria

Interprete: Banda Félixfônica
Voz e violão: Guilherme Gouvêa
Guitarra e vocais: Luis Canela
Bateria e vocais: Eduardo Vidili
Flauta, trompete, clarinete e vocais: Marco Lorenzo
Contrabaixo elétrico: Juliano Brasília
Roda-gigante (Emílio Pagotto e Silvio Mansani)

Quem não conhece a roda-gigante
Que nunca para nenhum instante
Que roda, gira bem colorida
Que é tão alegre, tão divertida!
E lá no alto, meu Deus, que medo!
Mas não espalha que isso é segredo
Todos conhecem a roda-gigante
Que nunca para nenhum instante

Voz: Lilian Rodrigues
Acordeão – Cristaldo Souza
Carrossel (Emílio Pagotto e Silvio Mansani)

O carrossel como a roda gigante
Não vai pro céu (3x) mas roda bastante
Um, dois, três, dez, vinte, trinta cavalos
Todos juntinhos no mesmo embalo
Segura bem, muito bem, nem te conto
Confesso até que fiquei meio tonto
O carrossel como a roda gigante
Não vai pro céu, mas roda bastante

Voz: Emílio Pagotto e Silvio Mansani
Piano, vibrafone e órgão: Luiz Zago
Percussão: Brother
Carrinho de bate-bate (Emílio Pagotto e Silvio Mansani)

Licença pra fazer desordem
Carrinho pra bater e pode
Correr o que quiser, sacode
No tranco que vier, me acode.
Tromba, bate, tromba, bate, tromba bate, tromba bate
Tromba bate, tromba bate, tromba
Tromba, bate, tromba, bate, tromba bate, tromba bate
Tromba, bate, tromba, bate
Fazendo curva num tornado
E bolo de carrinho, um monte
Eu sou o ás do volante, irado
No dorso de um rinoceronte.
É por alguns minutos breves
O mundo com outra lei de trânsito
E um frenesi num transe, um lance
Do que é normal ficar de greve

Violão: Luis Canela
Clarinete:
Percussão: Brother
O trem-fantasma (Emílio Pagotto e Silvio Mansani)

Quase que eu tive uma crise de asma
Quando entrei no trem fantasma
Quase que eu tive uma crise de asma
Quando entrei no trem fantasma
Cada susto gelava a caveira
Cada susto gelava a caveira
Que tremenda tremedeira
Quase tive uma crise de asma
Quando entrei no trem fantasma
Cada susto gelava a caveira
Que tremenda tremedeira

Tinha corcunda com corcova de camelo
E a mão da bruxa me puxou pelo cabelo
E veio a bruxa, e veio a bruxa e veio a bruxa
E quando a múmia levantou pra mim os braços
Achei que eu tinha ido mesmo pro espaço
“Socorro, como saio dessa, o que é que eu faço?!”
Achei que eu tinha ido mesmo, tinha ido mesmo...

Interprete: Banda Samambaia
Bateria: André Guesser
Baixo: Daniel Gomes
Voz e efeitos vocais: Jean Mafra
Guitarra e efeitos vocais: Thiago Gomes
Marco Antonio “Jaguarito”: Guitarra
Montanha-russa (Emílio Pagotto e Silvio Mansani)

Montanha russa é raça, é reza, é risco é terço na mão
É rente, é reto, é roda, é rolo é resto de indigestão
Por que é que eu fui comer cachorro-quente
Logo antes de subir no “Everest” ó, Mããããe!
Eu não sabia que corria tanto,
Que sentia tanto medo, que zunia tanto, que fazia azia
Mããããe! É tanto frio na barriga, rio na bexiga,
A vida por um fio, vi o fim de mim lá no vazio
Montanha russa faz a gente ser mais sentimental
Ninguém repara, todo mundo vira cara-de-pau
A hora chega e a gente pede logo
- Quero mamãe!
- Quero mamãe!
- Quero mamãe!
e sobe e desce faz a curva vira esquina dobra em quatro faz um nó danado
- Quero mamãe!
- Quero mamãe!
- Quero mamãe!

Voz e violão: Emílio Pagotto
Guitarra: Luis Canela
Contrabaixo acústico: Mateus da Costa
Percussão: Brother
Super-repolho (Emílio Pagotto e Silvio Mansani)

Doutor abobrinha espalhou
Abobrinhas maléficas pelo quintal
Intrigas cruéis ele fez
E muitos pepinos, tremendos problemas
Acima do nível normal
Os da vida toda num mês
E já não bastasse
Pintou um abacaxi gigantesco
O que será de nós?
O que será de nós? O que será?
Nós temos o super-repolho
Nós temos o super-repolho
Super-repolhooooo!!!
Super-repolhooooo!!!
O super-repolho não vem
Essa não, quê que deu, nosso super-herói
Chamamos por ele e não vem
A sua auto-estima caiu
Sua folha encolheu, sua cabeça dói
Parece que é o fim dessa vez
Vem cá, seu repolho
E extermina com seu gás letal
Todo o mal por nós
Para todos nós, um por todos
Nós temos o super-repolho
Nós só temos o super-repolho
Super-repolhooooo!!!
Super-repolhooooo!!!

Interprete: Silvio Mansani e Banda Brasil Papaya
Guitarra: Renato Pimentel
Guitarra: Eduardo Pimentel
Contrabaixo elétrico: Adriano Rotini
Bateria: Alex Paulista
O baile (Emílio Pagotto e Silvio Mansani)

O planeta terra, nosso lar
Vai viajando, vai girando...
Tendo a lua como par para bailar
Corre e nunca alcança
A terra dança sua dança
Passeando pelo espaço sideral, salão de baile
Onde estrelas e planetas fazem passos de anos luz
Como numa valsa debutante
Cortejada por galantes meteoros
Nebulosa diz nem sim nem não
O planeta terra nosso lar
Vai viajando, vai girando...
Tendo a lua como par para bailar
Trilha sua trilha, a terra
Nunca sai do trilho
Andarilha bailarina, brilha mesmo sem ter brilho
No ladrilho reluzente e branco da constelação
Rodopia sobre si e a lua gira por ali
E os dois vão dando a volta ao sol
Que dá uma volta por aí
(que dá uma volta na galáxia que passeia por aí)

Interprete: Grupo Andara
Vozes, percurssão, piano e arranjo
Ana Lozekann
Elaine Martins Léia Vozeran Mara Gutierrez Silvia Alvarez Telma Coelho Tina
Lautert Victoria Astalión
Tô triste (Silvio Mansani)

Tô triste
Ah, seu eu fosse um passarinho!
Aproveitaria que eu tô triste
E faria um poema com alpiste

Diria: “não, não quero alpiste”
“Estou sem fome, por hora”
“Tô triste”
Mas, ai, da tristeza
Que por mim passe
E não se despiste
Eu pego, traço e tchan!
Fico um pouco menos triste

Voz: izabela Soares
Violão: Silvio Mansani
Contrabaixo Acústico: Mateus da Costa
Trompete: Roberto Gorgati
Percussão: Brother
Guerra de travesseiros (Silvio Mansani)

Chega de bomba
Bomba só de chocolate
Vamos consertar o mundo
Onde está o alicate?
Deus, que bagunça!
Esse povo não se emenda
De ajustar os parafusos
Mas, cadê a chave de fenda?
Chega de guerra
Guerra só de travesseiros
Nada de briga
Briga, briga, brigadeiro
Paz e alegria, agora
Para o mundo inteiro
Paz e alegria, amigo
Não custa dinheiro

Interprete: Silvio Mansani e Grupo Cravo da Terra
Voz: Silvio mansani
Flauta: Ive Luna
Violino: Marcelo Mello
Violão: Luis Coelho
Contrabaixo: Mateus da Costa
Percussão: Marcos Vinícius e Vanderlei Souza

FICHA TÉCNICA

Produzido por Emílio Pagotto e Silvio Mansani

Gravado, mixado e masterizado nos estúdios The Magic Place (www.themagicplace.com.br) – Florianópolis/SC – entre Fevereiro e Agosto de 2007 por Renato Pimentel

Auxiliar técnico de gravação: Rodrigo “Doug” Herd

Exceto voz de Elizah em “Na careca do vovô”, gravada por Paulo Brandão no estúdio Brand (Rio de Janeiro/RJ) e “Guerra de Travesseiros” , gravada em 2005 por Renato Pimentel no estúdio The Magic Place (Florianópolis/SC). Participam do coro nesta música: Fernando de Carli, Ive Luna, Izabela Soares, Leonardo Mansani, Luis Coelho, Marcelo Mello, Marcos Vinícius, Mateus Costa, Neno Miranda e Vanderlei Souza.

Forografias e modelagens: Morgana Tesman (morgana.tesman@gmail.com)

Arte gráfica: Morgana Tesman e Rockit-SC Comunicação & Marketing (www.rockit-sc.com.br)

Animações: “Super-repolho” por Gabriela Dreher (gabrieladreher@hotmail.com) e “A lenda do brilho da lua” por Gabriela Dreher e Luiz Portta (luizportta@yahoo.com.br).